A Constituição como limitadora dos poderes públicos

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.65674/rev-trf3.v34i158.116

Palabras clave:

Constitucionalismo, Pós-positivismo, Poderes públicos, Limitação, Segurança jurídica, Direitos humanos

Resumen

O presente artigo realiza um escorço histórico sobre a construção do conceito de Constituição, inclusive diferenciando Estados de Direito e Estados de Polícia. Em seguida, apresenta uma visão mais atual sobre a Filosofia do Direito, notadamente expondo ideias neoconstitucionalistas ou, como prefere denominar, pós-positivistas, especialmente relacionadas aos direitos humanos. Ao final, propõe uma reflexão sobre a profunda transformação jurídica representada pelo reequilíbrio entre as fontes do Direito, com o aumento da relevância da jurisprudência, até mesmo frente à redução da atuação do legislador nas alterações das normas jurídicas, num fenômeno que exige do intérprete e do aplicador do Direito redobrada atenção, a fim de que eventual afastamento da segurança jurídica em prol de um sistema mais flexível não gere efeitos opostos ao desejado por seus atores.

Biografía del autor/a

Renato Lopes Becho, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Graduado em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (1990). Mestre em Direito pela PUC/SP (1997). Doutor em Direito pela PUC/SP (2000). Livre-docente em Direito pela USP (2008). Professor da PUC/SP. Estágio pós-doutoral no King’s College de Londres. Desembargador Federal na 3ª Região.
Lattes: http://lattes.cnpq.br/6752921514319694

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Publicado

2023-10-05

Cómo citar

Becho, R. L. (2023). A Constituição como limitadora dos poderes públicos. Revista Do Tribunal Regional Federal Da 3ª Região, 34(158), 309–334. https://doi.org/10.65674/rev-trf3.v34i158.116