Sara Baartman e a objetificação da mulher negra

Autores/as

  • Adriana Gomes de Proença USP

Palabras clave:

Sara Baartman, mulher negra, objetificação, ativismo político

Resumen

O presente artigo busca analisar a representação contemporânea do corpo da mulher negra, através de sua conexão com a história de Sara Baartman, a africana exposta aos europeus como entretenimento, no início do século XIX. Pensar o corpo da mulher negra implica em pensar o lugar que essa mulher ocupa na sociedade atual. Para tanto, será abordada a correlação entre a visão escravista sobre o corpo da mulher negra, como algo disponível ao homem branco, a imagem do corpo negro feminino na produção cultural de consumo de massa dos séculos XX e XXI, e a sua manutenção na base da pirâmide sócio-ocupacional do Brasil. A negativa de voz a essas mulheres aparece como o fator final na tentativa de relegar a elas um permanente status social de inferioridade, que só poderá ser modificado por meio de seu crescente ativismo político, inserindo suas pautas nos debates nacionais e internacionais.

Biografía del autor/a

Adriana Gomes de Proença, USP

Servidora do Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Mestranda em Direitos Humanos na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo - USP, sob orientação do Professor Doutor Dalmo de Abreu Dallari.

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Publicado

2019-12-10

Cómo citar

Proença, A. G. de. (2019). Sara Baartman e a objetificação da mulher negra . Revista Do Tribunal Regional Federal Da 3ª Região, 30(143), 47–57. Recuperado a partir de https://revista.trf3.jus.br/index.php/rtrf3/article/view/271

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